Yuri Gagarin – Almoço com as estrelas

Minutos antes de entrar para a história, o cosmonauta brincou com o chefe da missão: “O importante é que temos salsichão para acompanhar a aguardente”. É (quase) certo que Yuri Alekseyevich Gagarin estivesse caçoando, apesar dos russos ostentarem a fama de bebedores apaixonados. Não dá pra imaginá-los arriscando uma dose na gravidade zero, em um evento tão marcante na queda de braço CCCP X USA.
Com o grito de “Aqui vamos nós”, o piloto de origem camponesa aguentou o empuxo do lançamento a bordo da Vostok 1, e tornou-se o primeiro ser humano a sair da atmosfera terrestre, em 12 de abril de 1961. Desde então, este é o Dia Mundial da Cosmonáutica.

Apesar do passeio ter durado apenas 108 minutos, Gagarin levou algo parecido com comida na bagagem: 300 gramas de carne em forma de patê e pasta de chocolate, embalados em tubos iguais aos de creme dental. A dieta processada dos primeiros anos de exploração espacial era um vácuo de sabor. Mas Yuri, sobrevivente da Segunda Guerra Mundial ainda criança, parecia muito consciente e pronto para tudo. Deixou até uma carta à esposa, recomendando que se casasse de novo e não educasse as duas filhas como princesas, caso não retornasse ao planeta.

Bem, ele retornou e pousou em segurança. Virou herói nacional, orgulho e símbolo da luta soviética para evoluir da sociedade agrícola para a galáctica. Apesar dos embates ideológicos e diplomáticos da época, a conquista transcendeu a política e as divergências de pensamento. Feito poetizado a 300 km de altitude, com a frase “A Terra é azul”.

A TERRA É AZUL. A TORTA É FRITA
Autógrafos, encontros com líderes, um beijo em Gina Lollobrigida, uma visita ao Brasil. Após aterrissar, Yuri percorreu o mundo feito rock star. Os biógrafos relatam que a fama, o extenso cronograma público e as exigências sociais colocaram pressão demais sobre o rapaz do campo, que começou a beber além da conta.

Nas palavras de familiares, ele era um homem simples e carismático, que adorava física, matemática, história e literatura. Lia Pushkin e Saint-Exupéry. Inteligente, rápido no aprendizado e extremamente curioso, fruto de uma geração que teve poucas oportunidades, agora faminta por novidades no pós-guerra.

Na pequena aldeia de Klushino, arredores de Moscou, o apetite do jovem Yuri voltava-se normalmente para a colorida “borscht”, sopa de tomates e beterrabas. Passado o trauma da ocupação
nazista, formou-se em metalurgia e depois ingressou na Escola Técnica de Saratov, 800 km a sudeste da capital. Com pouco dinheiro, trabalhou de operário nas docas do Rio Volga e aprendeu a
pilotar no aeroclube local. Em 1955, foi aceito na Orenburg Pilot School. Formado, integrou a Força Aérea Soviética e ganhou a patente de tenente. Casou-se com Valentina, e em 1960, esteve entre os 20 candidatos ao programa espacial.

Além de alimentar-se de conhecimento, Gagarin vez ou outra planava sobre um suflê de crosta crocante, recheado de chocolate cremoso e frutas silvestres. Porém, seu prato preferido, em terra ou orbitando, era uma torta salgada: a “belyash”.

É um tipo de empanada com um buraco no meio, como um donut. Conceitualmente, parece com os nossos pastéis de carne. Receita tradicional na Rússia e em outros países da ex-União Soviética,
nascida cinco séculos atrás, nos tempos do Czar Ivan IV, “o Terrível”. A autoria é geralmente atribuída à cozinha tártara, generosa em frituras, ao contrário da russa, habituada a assados e cozidos.

Pena que Yuri Gagarin não pode desfrutar tanto assim das iguarias da vida. Morreu precocemente aos 37 anos, após acidente de treinamento em um caça Mig. Pelo menos, ele partiu para as
estrelas fazendo o que mais gostava.

RECEITA DE BELYASH TORTA DE CARNE RUSSA

Ingredientes
• 320g de farinha de trigo
• 160g de leite ou água
• 8g de fermento
• 8g de açúcar
• 4g de sal
• 450g de carne de bovina (filé)
• 100g de cebola
• 60ml de água
• Pimenta-do-reino moída
• 70ml de óleo vegetal

Preparação
Dissolva o fermento com o leite morno ou a água, adicione açúcar e sal, misture-os bem para dissolver, acrescente os ovos e depois a farinha. Faça a massa, cubra com um pano limpo e deixe em um lugar quente para fermentar durante até 4 horas. Para remover o excesso de dióxido de carbono e enriquecer a massa com oxigênio, é necessário amassá-la depois de 1 hora e outra vez depois de 2 horas. Para o recheio, pique bem a carne ou use carne moída. Adicione cebola bem picada, sal, pimenta, água e misture tudo. Abra a massa em uma trança grossa, corte em 12 pedaços, forme as bolinhas e deixe descansar por 10 ou 15 minutos. Depois amasse as bolinhas, coloque recheio e aperte as bordas, de modo que o centro permaneça aberto.
Frite os belyashi em uma frigideira com óleo a 170° C, colocando primeiro o lado aberto para baixo. Assim que ficar dourado, vire, reduza um pouco o fogo e frite até ficar pronto. Você pode verificar se já está pronto, pressionando cuidadosamente a carne – deve sair um caldo transparente. Use pouco óleo para fritar.

Texto: Fábio Angelini

 

Fonte oficial: Sociedade da Mesa

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