Carne para Gengis Khan – Revista Sociedade da Mesa

Bastante apreciado na ilha de Hokkaido é o prato chamado “jingisukan”, versão japonesa para o nome “Gengis Khan”. Carne de carneiro grelhada e fatiada em pequenas tiras com vegetais, preparada em um grill semioval, cujo formato imita os capacetes dos soldados do conquistador mongol.

Pelos anos 1200, os mongóis não primavam pela finesse à mesa. Sequer tinham uma culinária propriamente dita; simples, cozinhavam tudo sem sal ou açúcar e sem labaredas, para não chamar a atenção dos inimigos. Para beber, leite e iogurte. E quase sempre carne, porque as verduras rasteiras não passavam de “comida de cabra”. O alimento era cozido usando pedras quentes dentro da carcaça do animal abatido, ou cortado em tiras e posto para assar dentro do próprio capacete ou escudo dos guerreiros, sobre pequenas chamas. Para cortar a carne, as espadas, claro. Churrasco ancestral.

Esta foi a dieta básica e substancial do exército de Gengis Khan, nascido Temujin, em 1162. Em apenas 25 anos, o estrategista construiu o maior império global que se tem notícia, cuja extensão territorial ia das Coreias à Polônia, do Vietnã ao Oceano Ártico. Ele é venerado e visto como um dos maiores heróis da cultura mongol, mas não pela fama de combatente sanguinário. Os conterrâneos consideram todas as suas ações justificáveis pelo bem maior, a unificação do país, que conseguiu. Fez jus ao título “Khan”: líder, chefe.

Somente os historiadores e uns poucos curiosos conhecem os pormenores da vida e obra do personagem. Diz-se que dava chance aos povos se renderem pacificamente, e após a vitória, concentrava-se em construir a paz com igual intensidade. Instituiu a liberdade religiosa e a meritocracia, encorajava a alfabetização e isentava os pobres de impostos. Por conta disso, as pessoas uniam-se ao seu império voluntariamente. Entre elas, muitas das 500 esposas que teve, presentes dos rivais em sinal de trégua.

Khan também foi responsável por um dos primeiros sistemas postais internacionais, o “Yam”: serviço de correio organizado com uma série de estações estendidas ao longo de todos os domínios mongóis.

Pesquisadores calculam que na época, Gengis Khan e seu bando de tártaros – como ficaram conhecidos na Europa – reduziram a população mundial em 11%. O nome “tártaro” é sugestivo na culinária. Uma das teses diz que, na impossibilidade de fazer fogo ou picadinho dos inimigos, os mongóis picavam carne crua e acrescentavam um molho à base de legumes e ervas, que seria o tataravô do
nosso molho tártaro.

Como povo essencialmente nômade, desenvolveram suas carnes secas e aproveitavam o tutano dos ossos. É o que se vê atualmente, uma gastronomia pautada no consumo de carnes (cordeiro, camelo, cavalo, cabra, aves), laticínios, sopas, chás e poucas especiarias. A refeição mais importante é o jantar, quando normalmente é servido o “horhog”, suculento pedaço de carne de ovelha fervido em água salgada, às vezes com batata, cebola ou alho. Dureza para os vegetarianos.

Nas frias estepes da Mongólia, prevalece a praticidade carnívora de discretos ingredientes. E esqueça pratos ou talheres, come-se com as mãos, tal qual o ascendente Gengis Khan, que morreu em 1227. Bem nutrido, provavelmente.

CHURRASCO AO MOLHO GENGIS KHAN

Ingredientes:
2kg de carne bovina (patinho, alcatra ou coxão mole)
cortada em tiras finas
350ml de shoyu tradicional
100ml de água
150ml de saquê para cozinha (seco)
1 cebola grande inteira
3 dentes de alho
1 maçã
2 colheres de sopa rasas de açúcar
500g de toucinho
3 pedaços de gengibre (do tamanho de 3 dentes de alho)

Preparação:
Reserve a carne em um recipiente fundo, para que seja colocado o molho. Bata todo o restante dos ingredientes no liquidificador em velocidade alta, por aproximadamente 5 minutos. Leve o molho batido junto à carne e mexa bem, até toda a carne receber um banho do molho. Deixe descansar por 1 hora ou mais (quanto mais tempo deixar, melhor; se possível, tempere à noite para servir no almoço do dia seguinte). Para assar, é necessário uma churrasqueira ou chapa (grill) para grelhar em temperatura bem alta. Coloque a churrasqueira para esquentar; enquanto isso, passe um pedaço de toucinho por cima da grade da churrasqueira para a carne não grudar (o mesmo deve ser feito no grill). Atenção ao detalhe da carne fina, o ponto é muito rápido. Portanto, atenção para não queimar.
Cada tira fica no máximo 4 minutos no fogo (2 de cada lado).

Texto: Fábio Angelini

 

Fonte oficial: Sociedade da Mesa

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