Atlas alimentar – Revista Sociedade da Mesa

Para muitos, Paris cheira a macaron, a Índia rescende a especiarias, Munique tem sabor de cerveja. Seria de se esperar que o bairro do Limão, em São Paulo, deixasse um aroma cítrico pelo ar de seus logradouros? No passado, talvez. Quando a região era toda ocupada por chácaras e sítios, onde pés de limão-bravo cresciam bem na divisa com a Freguesia do Ó.

Nomes próprios e pátrios atados à mesa são comuns no mundo inteiro. No Arizona, existe inclusive uma cidade chamada Mesa, fundada pelos mórmons em 1878. Às mesas de Mesa, você não vai encontrar um prato próprio, e sim uma rica fusão das culinárias polonesa, francesa, havaiana e mexicana.

O país Camarões deve sua alcunha, sim, ao crustáceo rosado que era encontrado em bandos generosos à foz do rio Wouri, que os exploradores lusitanos rebatizaram como “rio dos Camarões”, séculos atrás. Em Minas Gerais, a estância hidromineral de Lambari deve seu nome ao rio homônimo, da mesma forma. Ainda no estado, o ribeirão
Sem-Peixe nomeou o município de… Sem-Peixe. Não muito promissor para os fãs da categoria. Quem nasce ali? É sempeixiano.

A mais antiga cidade continuamente habitada do mundo pode dar água na boca: Damasco, capital da Síria, quer dizer “lugar provido de água” (do grego “damaskó”). Só que a fruta é de origem chinesa e siberiana.

Outras localidades tornaram-se autênticas marcas registradas. A vila de Cheddar, a oeste da Inglaterra, saiu do anonimato graças ao queijo feito com leite de vaca
cru, amarelo claro, quebradiço, que derrete fácil na boca. É um dos preferidos do brasileiro para acompanhar lanches. E o brasileiro inventou um tipo de lanche
chamado beirute, nos anos 1950, influenciado pelos imigrantes libaneses paulistanos. A receita original era composta por muçarela coberta com zatar, rosbife e
tomate. Claro, e pão sírio.

Partindo da Denominação de Origem Controlada, é possível traçar um roteiro gastronômico invejável pelo território francês: Champagne, Chantilly, Dijon, Cognac, Bordeaux e Roquefort.

Quanto à capital Lima, nada a ver com a fruta: deriva da palavra indígena “limaq”, que significa “aquele que pode falar”. E Peru? Bem, a ave sequer existia por ali nos tempos da colonização; habitava o México e alguns setores meridionais dos atuais E.U.A.. Quando Francisco Pizarro explorou as regiões mais ao sul da América, designou-as genericamente de Peru. Mas o nome do país parece ser anterior à chegada dos espanhóis; é mais provável que tenha origem no guarani “birú”, cuja tradução é “rio”.

Embora sem muita tradição na culinária daqui, outra ave cruza várias coordenadas do mapa nacional: em Pato Branco (PR), em Patos de Minas (MG), em Patos (PB). Frequente no prato, só o intenso pato no tucupi, entre os paraenses. A carne vermelha tem seus representantes também: Bezerros (PE), Vacaria (RS), Cordeiro (RJ) e Cordeiros (BA). E para mesclar os gostos, Combinado, no Tocantins.

O que costuma dar nó em cabeça e estômago de italiano é um prato típico da região argentina do Rio da Prata, produto da miscigenação cultural de Buenos Aires: a Milanesa à Napolitana. Simplesmente um bifão de alcatra ou frango à milanesa preparado com presunto, queijo e molho de tomate a galope.

Nenhuma relação com a cidade de Buffalo, estado de Nova York.

Texto: Fábio Angelini

 

Fonte oficial: Sociedade da Mesa

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